Nova rodada do Datafolha revela que 46% dos eleitores dizem não votar de forma alguma no senador Flávio Bolsonaro (PL) — o mesmo percentual declarado contra o ex-presidente Lula (PT). O levantamento, encomendado pela Folha e pela TV Globo, entrevistou 2.002 pessoas em 125 municípios entre terça (8) e quinta (10) e tem margem de erro de dois pontos. O registro no TSE é BR-01833/2026.
O empate técnico entre os dois no topo da rejeição — Flávio tinha 47% na rodada anterior e Lula 45% — sinaliza estabilidade dentro da margem de erro, mas também expõe um teto claro de aceitação. Níveis de rejeição tão elevados limitam a capacidade de ambos os projetos de ampliar o eleitorado por meio de convergências moderadas, busca de eleitores indecisos ou acordos amplos com outros polos políticos.
Entre os demais postulantes, a rejeição aparece bem abaixo: Renan Santos (Missão) com 17%, Romeu Zema (Novo) com 16% e Ronaldo Caiado (PSD) com 14%. Augusto Cury (Avante) subiu para 10%, ante 9% no levantamento anterior. Esses números mostram que, por ora, a polarização entre as lideranças mantém espaço restrito para terceiros crescerem de forma consistente.
O contexto institucional tem peso sobre esses números. A recente crise no Supremo — desencadeada pela divulgação de conversas envolvendo Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e menções a André Mendonça — e as reações subsequentes alimentaram uma disputa política que pode reforçar rejeições e endurecer posições. A autorização de investigação pelo ministro Flávio Dino sobre o financiamento do filme 'Dark Horse' e a menção a pedido de recursos a Vorcaro por Flávio Bolsonaro trazem repercussões que ainda não foram totalmente captadas pela pesquisa. Em suma, a pesquisa acende alerta: rejeição alta amplia desgaste e complica a narrativa eleitoral de ambos, exigindo ajustes táticos e reforçando a importância de fatores jurídicos e de imagem na corrida para 2026.