A mais recente rodada do Datafolha mostra um empate técnico nas taxas de rejeição que marcam o segundo turno: 46% dos eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro (PL) e 45% declaram o mesmo sobre Lula (PT). Considerando também os que disseram não votar em nenhum dos dois, a rejeição de ambos chega a 48%. Para a campanha, o dado acende alerta sobre o teto de cada lado e a dificuldade de ampliar base.
Dois pontos ajudam a entender o quadro: os índices mudaram pouco nas últimas semanas — há duas semanas eram 46% a 43% — e a margem de erro de duas pontos mantém o empate técnico. Além disso, a soma de todos os adversários no primeiro turno ficou restrita a 7,81% dos votos válidos; o terceiro colocado, Augusto Cury (Avante), teve 2,89% e já declarou apoio a Flávio, acompanhado por nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Mesmo com apoios, o espaço de transferência de votos é limitado.
A escalada de agressividade na campanha e no debate na TV, amplamente criticado por observadores por seu tom combativo, tende a reforçar essas taxas de rejeição. Analistas apontam que ataques mútuos têm efeito duplo: mobilizam as bases, mas afastam eleitores pendulares e indecisos — justamente o público que pode decidir o resultado. Assim, a estratégia de confronto direto representa um custo político real para quem buscar expandir além do eleitor fiel.
O retrato do Datafolha é um termômetro do momento, não uma previsão definitiva. Para virar o quadro será preciso converter indecisos ou reduzir a rejeição do adversário, tarefa que depende de mudança de narrativa, agenda de propostas e, possivelmente, recuo no tom hostil. O levantamento ouviu 2.520 eleitores entre terça (20) e quinta (22) e está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-09709/2026.