O mais recente levantamento do Datafolha confirma que a corrida presidencial deste ano segue, em grande parte, definida por rejeições. Segundo o instituto, 47% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro (PL), contra 45% que afirmaram o mesmo sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa foi aplicada na terça (1º) e na quarta (2), ouviu 2.002 pessoas maiores de 16 anos em 125 municípios e está registrada no TSE sob o código BR-03669/2026; a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em relação à rodada de duas semanas atrás, a rejeição de Flávio variou de 46% para 47%, enquanto a de Lula se manteve em 45%, indicando estabilidade nas aversões aos dois líderes.

Além da dupla à frente, o levantamento expõe o perfil de rejeição dos demais competidores: Romeu Zema (Novo) aparece com 16% de rejeição, Renan Santos (Missão) com 15% e Ronaldo Caiado (PSD) com 13%. Augusto Cury (Avante) registra 9%, o mesmo índice de Samara Martins (UP) e de Rui Costa Pimenta (PCO). Edmilson Costa (PCB) e Clariana Barão (DC) marcam 8% cada, Hertz Dias (PSTU) 7% e Wilson Grassi (Democrata) 6%. Apenas 1% declarou rejeitar todos os candidatos, e 3% disseram não saber. Esses números desenham um tabuleiro com poucos espaços livres para crescimento orgânico, sobretudo fora dos quatro ou cinco nomes com maior capilaridade.

Do ponto de vista estratégico, a pesquisa acende alerta para candidaturas com rejeição acima de 40% — patamar que marqueteiros costumam apontar como impeditivo para evolução consistente, especialmente em eventual segundo turno. Quando os dois contendores principais registram níveis parecidos e elevados de aversão, a disputa passa a depender da capacidade de atração dos eleitores pendulares: aqueles que hoje estão indecisos, insatisfeitos com ambos ou ancorados por motivações anti‑outro. O retrato atual reduz a margem de manobra para mensagens polarizadoras e aumenta a importância de táticas de redução de danos e de ampliação de alianças regionais e partidárias.

A ascensão relativa de nomes como Augusto Cury — com crescente visibilidade nas redes, apesar de tempo reduzido no horário eleitoral gratuito — adiciona variável imprevisível ao cenário: ainda que com rejeição modesta, seu ganho de exposição pode redistribuir parte do eleitorado insatisfeito. A campanha de Cury nega impulsionamento pago ou uso de robôs, mas a forma como candidatos emergentes convertem visibilidade online em votos efetivos permanecerá no centro da análise eleitoral. Em suma, o Datafolha oferece um retrato do momento, não uma previsão: os números reforçam que a eleição tende a ser decidida mais por quem conseguir reduzir rejeição e ampliar a margem entre os líderes do que por quem manter um núcleo duro de apoiadores. Para Lula e Flávio, o recado é claro — diminuir aversão virou condição material para viabilizar qualquer avanço real até 2026.