A rejeição volta a dominar o mapa da disputa presidencial. Pesquisa Datafolha ouviu 4.050 pessoas entre sexta (23) e sábado (24) e encontrou que 46% dos eleitores dizem não votar de forma alguma em Lula (PT), enquanto 45% apontam o mesmo para Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, registrado na Justiça Eleitoral (BR-09540/2026), confirma um cenário de eleitorado altamente polarizado.
Em comparação com a rodada anterior divulgada na quinta (22), os índices se mantiveram estáveis: no último levantamento, 46% rejeitavam Flávio e 45% rejeitavam Lula. Quando a pergunta foi sobre em quem não votariam de jeito nenhum, 49% citaram Lula e 48% Flávio; 2% disseram rejeitar ambos e 6% não rejeitam nenhum dos dois. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
A alta rejeição orientou a campanha e explica a escalada de ataques e propagandas negativas no segundo turno. A calcificação do quadro — com os demais candidatos somando menos de 8% dos votos válidos no primeiro turno — reduz drasticamente o eleitorado disponível para conversões, tornando qualquer ganho real bastante marginal.
Do ponto de vista político, a pesquisa acende um sinal de alerta: índices tão elevados ampliam o desgaste e complicam a narrativa de ambos os lados, obrigando comandos de campanha a estratégias de contenção e a tentar elevar brancos e nulos para minar a base adversária. Para 2026, o resultado remete a uma disputa de custos altos, com pouco espaço para surpresas.