A primeira pesquisa do Datafolha dedicada ao segundo turno mostra rejeição elevada aos dois candidatos: 46% dos entrevistados dizem que não votam em Lula e 43% afirmam o mesmo sobre Flávio Bolsonaro. O levantamento foi feito entre terça (6) e quarta (7), com 2.520 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos (registro BR-02949/2026). Outros 3% rejeitam ambos os nomes e 8% dizem não rejeitar nenhum dos candidatos.

Os números confirmam a impressão dominante durante toda a campanha: trata-se, mais uma vez, de um duelo marcado pelo 'não voto'. No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%; a proximidade nas preferências foi acompanhada pela convergência na rejeição ao longo da corrida, ponto destacável pelo Datafolha — o que deixa o segundo turno dependente de reversões marginais e de estratégias para ampliar o eleitorado favorável.

Além da rejeição nominal, a pesquisa mostra dificuldades para ambos na mobilização do eleitorado. Quando questionados sobre a certeza do voto, 49% declararam que não irão optar por Lula e 46% que não irão optar por Flávio — indicadores de volatilidade e de margem relevante de eleitores abertos a mudança. Em um cenário assim, abstenção, comparecimento seletivo e campanhas de último minuto podem decidir o resultado.

Politicamente, o retrato impõe custos e limitações. Para o candidato que ficou à frente no primeiro turno, manter a vantagem exige reduzir a negativa e ampliar a coalizão; para quem veio em segundo, é preciso converter rejeição em ganho líquido sem exacerbar a polarização. Ambos enfrentam pressão para ajustar tom, mensagens e aparições públicas visando conquistar os eleitores que hoje dizem não rejeitar nenhum dos dois (8%) ou que se declaram indecisos.

O levantamento é um retrato do momento, não uma previsão. Com margem de erro de ±2 pontos, os números mostram mais do que diferenças percentuais: expõem a fragilidade das estratégias atuais e a dependência de logística de campanha, alianças e capacidade de conversão de votos contra a rejeição. Para os atores políticos, a lição é clara — a eleição de 2026 pode novamente ser definida pela gestão de rejeições e pela eficácia em mobilizar quem ainda não foi conquistado.