O segundo turno começou com um quadro de vantagem marginal para Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT), segundo levantamento do Datafolha. A dianteira de Flávio aparece em recortes diversos e, na pesquisa espontânea — quando os nomes não são apresentados ao eleitor — a diferença é pequena: 46% a 44%. O resultado deixa claro que o embate seguirá concentrado em eleitores ainda abertos, e não em bases firmes.
O desempenho inicial de Flávio reflete dois fenômenos: retenção de eleitorado bolsonarista e transferência de votos de candidatos derrotados na primeira etapa. A leitura política é direta: o senador amplia seu alcance além do núcleo fiel, o que lhe dá fôlego, mas a vantagem permanece dentro da margem de erro e, portanto, frágil. Isso torna vulnerável qualquer movimento de perda de apoio em regiões ou grupos onde a disputa é apertada.
Do lado do presidente, a campanha de Lula adotou discurso de preservação de programas sociais e fez do receio de cortes orçamentários em um eventual governo de Flávio um eixo de mobilização. O alvo é nítido: ampliar votos fora do Nordeste e recuperar eleitores vinculados a aposentadorias e ao Bolsa Família, segmentos onde a hegemonia petista já não é tão ampla como antes. A estratégia busca converter temores concretos em decisão de voto.
A pesquisa também destaca a centralidade dos eleitores não alinhados e dos que não rejeitam nenhum dos dois nomes. Nas medidas de rejeição, 46% dizem que só não votam em Lula, 43% recusam somente Flávio, 3% rejeitam ambos e 8% não rejeitam nenhum. Esse conjunto de indecisos e de eleitores que se declaram fora dos polos petista-bolsonarista será o campo de batalha até 25 de outubro: é nele que decisões marginais podem inverter o resultado.
Do ponto de vista prático, o quadro impõe tarefas distintas: Flávio precisa consolidar e transformar a vantagem estreita em margem confortável, evitando dispersões; Lula tem de ampliar sua penetração regional e recuperar a fidelidade em segmentos sociais sensíveis a cortes. Para ambos, a capacidade de convencer eleitores sem barreira emocional será determinante — e a campanha que melhor traduzir essas incertezas em voto terá vantagem num cenário onde a rejeição alta reduz o espaço de manobra.