Pesquisa Datafolha feita nos dias 12 e 13 de maio com 2.004 entrevistados aponta que 40% dos brasileiros avaliam o trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal como ruim ou péssimo — a marca mais alta desde o início da série histórica. Outros 34% classificam o desempenho como regular e 22% como ótimo ou bom. Os índices são estáveis em relação a março, dentro da margem de erro de dois pontos; o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral (BR-00290/2026).

O quadro de avaliação negativa vem em meio às revelações do chamado caso Master, que atingiu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Toffoli saiu da relatoria do inquérito após a Polícia Federal apontar que fundos ligados ao banco adquiriram participação de empresa da família do ministro. As mensagens divulgadas entre Moraes e Vorcaro, além do contrato milionário do escritório da esposa do ministro com o banco, também intensificaram o desgaste.

A crise de imagem se combina com denúncias sobre penduricalhos salariais no Judiciário e com o debate sobre uma reforma do Poder. Internamente, o tribunal vive um racha: um grupo liderado por Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin se contrapõe aos ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia. O quarteto tem cobrado uma postura mais firme de Fachin e tenta pautar medidas de grande repercussão, enquanto o presidente do STF defende a adoção de um código de conduta.

Os números têm impacto político direto: a avaliação do STF é nitidamente filtrada pela visão sobre o governo. Entre quem aprova o trabalho de Lula, 50% consideram o Supremo ótimo ou bom e 12% ruim ou péssimo; entre quem vê o governo negativamente, só 5% classificam a corte positivamente e 71% negativamente. Em intenção de voto, 40% dos eleitores de Lula avaliam bem o STF, contra 16% que o reprovam; entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 8% o enxergam positivamente e 64% negativamente. A pesquisa foi majoritariamente realizada antes das repercussões envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro.