O novo levantamento do Datafolha confirma a liderança do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo, com 45% das intenções, ante 27% do ex-ministro Fernando Haddad. A soma das demais candidaturas é insuficiente para forçar um segundo turno: na contagem de votos válidos, Tarcísio alcança cerca de 52% e venceria Haddad por 54% a 35% em um eventual confronto direto. A avaliação do governo também permanece positiva: 42% consideram a gestão boa ou ótima, contra 23% que a julgam ruim ou péssima, ainda que o saldo tenha recuado levemente desde julho.
Os números corroboram uma leitura política já ensaiada no meio: ambos os candidatos avançam em cenários moldados por padrinhos. Tarcísio, figura introduzida no debate de 2022 pelo bolsonarismo, fez escolhas eleitorais que preservaram a liderança familiar do ex-presidente no campo antipetista. Para dirigentes do centro e da direita, ele surge hoje como alternativa mais moderada ao bolsonarismo, com potencial de projeção nacional até 2030.
Do outro lado, Haddad ocupa o posto que Lula precisa em São Paulo: um palanque robusto para blindar a base do presidente no maior colégio eleitoral do país. Ao mesmo tempo, convive com índices de rejeição elevados — 47% dizem que não votariam nele em hipótese alguma, contra 29% para Tarcísio — e com dificuldades em regiões do interior onde o PT historicamente tem menor penetração. Esses dados limitam seu espaço de crescimento e colocam a campanha na defensiva.
Mais do que o jogo de influências, o eleitorado paulista continua esperando respostas práticas. Educação básica, segurança e criminalidade cotidiana, expansão do transporte metropolitano, despoluição de rios, adaptação à mudança climática e problemas emblemáticos como cracolândias figuram entre as prioridades que exigem diagnóstico e proposta. Politicamente, a pesquisa acende um alerta para ambos: depender de padrinhos pode garantir base eleitoral, mas não substitui desempenho administrativo nem respostas concretas — e a ausência dessas respostas poderá cobrar preço nas urnas e na construção de cenários para 2026.