Pesquisa Datafolha realizada nos dias 22 e 23 com 2.004 entrevistados mostra que a narrativa em torno do chamado "tarifaço" tem efeito direto no tabuleiro eleitoral. Para 52% dos entrevistados, os recentes aumentos de tarifas impostos pelos Estados Unidos têm a intenção de beneficiar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL); 37% rejeitam essa hipótese e 11% não souberam responder. O levantamento, com margem de erro de dois pontos percentuais, também registra que 63% dos ouvidos afirmam conhecer o caso — 25% dizem estar bem informados e 34% razoavelmente informados.
Os números eleitorais engrossam o sinal político: no primeiro turno, Lula aparece com 40% contra 32% de Flávio; em um eventual segundo turno, o petista tem 48% ante 43% do senador. A percepção de favorecimento por parte de Trump agrava o custo político para o PL, sobretudo porque a associação da família Bolsonaro ao ex-presidente dos EUA já era presença na campanha e na narrativa pública. Nas redes contrárias ao PL emergiu o rótulo depreciativo "Tariflávio", reflexo do desgaste simbólico do episódio.
O Datafolha detalha ainda como o eleitor distribui responsabilidades e avaliações: 35% apontam Lula como responsável pela crise, 28% responsabilizam Trump e 23% atribuem culpa aos irmãos Bolsonaro (13% a Flávio e 10% a Eduardo). Ao mesmo tempo, 34% concordam com a versão de Lula de que a culpa recai sobre o rival, enquanto 26% aderem à tese de Flávio de que o governo brasileiro falhou. Importante: 74% dos entrevistados preferem que o Brasil negocie uma solução em vez de retaliar item por item, postura que limita opções do Planalto e afeta o discurso dos principais articuladores, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, que já descartou retaliação.
Há também custo político para o próprio governo: metade do eleitorado (51%) acredita que Lula fez menos do que poderia no episódio, contra 29% que consideram suas ações adequadas e 12% que dizem que ele exagerou. Em resumo, os dados do Datafolha apontam uma janela estreita para o PL — que enfrenta suspeitas de conivência internacional — e para o Executivo — que ganhou apoio pela reação nacionalista, mas vê questionada sua atuação diplomática. O quadro sugere pressão adicional sobre estratégias de campanha e negociação, e coloca a política externa e o debate comercial como variáveis centrais na disputa rumo a 2026.