A última pesquisa Datafolha antes da votação de amanhã coloca Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula — um placar que, na prática, concentra o nervosismo no campo governista. O levantamento, encomendado pela Folha e pela TV Globo e registrado no TSE (BR-09540/2026), pinta um cenário de empate técnico que tende a influenciar a última 24 horas de campanha, a mobilização de eleitores e a narrativa de ambos os lados.

O estudo ouviu 4.050 eleitores em 124 municípios entre a sexta (23) e o sábado (24) e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Esse intervalo estatístico significa que a diferença formal de dois pontos entre os candidatos está dentro do limite de imprecisão da pesquisa, transformando o resultado em retrato de uma disputa apertada, não em uma previsão definitiva do desfecho das urnas.

Politicamente, o levantamento acende alerta para a campanha de Lula: a oposição aparece com vantagem nos votos válidos, o que complica a narrativa oficial e exige reação imediata na reta final — tanto em termos de mobilização no dia da eleição quanto de ajuste de mensagens para correntes de eleitores indecisos. Para a base de Flávio, o dado reforça a estratégia de foco em comparecimento e conversão do apoio, já que a margem estreita torna cada ponto percentual crucial. Institucionalmente, o resultado também pode intensificar atenção às operações de fiscalização, logística e contagem de votos amanhã.

Pesquisas como esta são um retrato do momento e não garantem desfecho: com a margem de erro, o quadro permanece volátil e sujeito a variações de última hora — comparecimento, abstenção e efeitos de notícias ou mobilizações locais podem virar o jogo. Resta a ambos os lados a tarefa clara nas próximas horas: transformar intenção em voto real. O eleitor, por sua vez, recebe amanhã a decisão final — e é essa votação que confirmará ou desmentirá o recorte mostrado pela Datafolha.