A Suprema Corte dos EUA limitou, por 5 a 4, a tentativa do presidente de demitir a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, mas o veredito ofereceu triunfo parcial. Os ministros barraram a demissão imediata por falhas processuais do governo, permitindo que Cook permaneça na cadeira por ora, sem resolver a questão de fundo.
A corte considerou que o Executivo deveria ter dado à diretora oportunidade formal para contestar as alegações que motivaram a tentativa de remoção. No entanto, os juízes não estabeleceram critérios claros para quando um presidente pode afastar membros do banco central, nem decidiram sobre a veracidade das acusações contra Cook ou o foro apropriado para sua contestação.
O presidente reagiu em tom desafiador, descrevendo a decisão como meramente processual e prometendo agir em breve. Especialistas em governança do Fed alertam que a ambiguidade pode se traduzir em convite à pressão presidencial: sem limites jurídicos precisos, futuras investidas por influência política sobre a política monetária ficam facilitadas.
Além do impacto imediato sobre a equipe do Fed, a decisão tem implicações políticas e econômicas: fragiliza parcialmente a blindagem institucional do banco central e alimenta incerteza sobre a independência das decisões que afetam juros e estabilidade financeira. A lacuna deixada pela corte tende a transferir o debate para o Congresso, tribunais inferiores ou para a arena política, mantendo a questão aberta.