A contusão de Estêvão, sofrida contra o Manchester United, reacendeu uma discussão que parecia atada ao passado: a inclusão de Neymar na lista para a Copa. Fontes, incluindo o site The Athletic, apontaram para uma lesão de grau 4 — a mais grave — e o Chelsea indicou que o jovem ficará fora até o fim da temporada. Se confirmada, a ausência do camisa 19 abre espaço e, sobretudo, um dilema para a comissão técnica.

No Brasil, o tema virou campo de batalha entre defensores incondicionais de Neymar e opositores que consideram a convocação injustificável. Reportagens especializadas têm ressaltado a fragilidade de argumentos físicos para o retorno e a irregularidade de rendimento do atacante nos últimos anos. O debate expõe, sobretudo, um conflito entre apelos emocionais e critérios técnicos numa seleção que busca consistência.

Também pesa o cenário externo: pesquisa do Datafolha mostrou que 54% dos brasileiros não têm interesse na Copa, reflexo de um time que chega ao Mundial com desconfiança e expectativas divididas. Carlo Ancelotti, por sua vez, tem crédito e experiência para tomar a decisão final em 18 de maio, e dificilmente cederá apenas a pressões midiáticas ou saudosistas.

Convocar Neymar por fé em um lance decisivo seria apostar mais na memória do que no presente. A seleção precisa de clareza de critérios e de soluções que não dependam de salvadores improváveis. Até agora, a inclusão dele parece remota; o caminho mais sensato é olhar para opções com forma e continuidade, não para nostalgias que podem custar coerência ao projeto.