O Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 6,03 bilhões em março, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira. O resultado veio pior que a mediana das projeções (US$ 5,49 bilhões) e eleva o déficit acumulado em 12 meses para o equivalente a 2,71% do PIB, sinal de maior fragilidade externa no curto prazo.
Além do resultado em conta corrente, os investimentos diretos no país somaram US$ 6,04 bilhões em março, abaixo dos US$ 7 bilhões previstos pelo mercado e pouco menores que os US$ 6,29 bilhões observados em março de 2025. A conta de renda primária ampliou o rombo, com déficit de US$ 7,38 bilhões, contra US$ 6,27 bilhões um ano antes. A balança comercial manteve superávit, mas recuou para US$ 5,62 bilhões, enquanto a conta de serviços registrou déficit de US$ 4,78 bilhões.
O conjunto dos números indica menor capacidade de financiamento externo no momento e aumenta a necessidade de atração de capitais para cobrir o gap entre recursos e passivos. Para além do impacto técnico, o quadro complica o discurso de solidez externa e reduz folga para erros de política econômica, sobretudo se a entrada de investimento direto não se recuperar nas próximas leituras.
Do ponto de vista prático, a deterioração eleva a sensibilidade do câmbio a choques externos e pode encarecer o custo do financiamento para empresas e governo. A resposta das autoridades — por exemplo, medidas que melhorem a percepção de risco ou reforcem a disciplina fiscal — será determinante para evitar que o déficit se traduza em pressões mais duradouras sobre a economia.