Pesquisa divulgada pelo Cetic.br no Painel TIC - Integridade da Informação revela um quadro preocupante: 34% dos adultos concordam que “não vale a pena pesquisar se as informações são verdadeiras”, 33% entendem que checar não altera opiniões e 27% afirmam que saber a veracidade não impacta suas vidas. Além disso, 48% dizem desconfiar sempre ou na maioria das vezes dos veículos de notícias tradicionais.
O fenômeno batizado pelo estudo como 'desengajamento informacional' não é mera abstração: traduz-se em menor disposição para confrontar crenças pessoais com fatos e em enfraquecimento do ecossistema informativo. Quando parcela relevante da população desiste da verificação, o espaço público vira terreno fértil para narrativas simplificadas, polarizadas e para ataques às instituições que dependem de confiança para funcionar.
O Cetic.br observa diferenças por faixa etária e escolaridade, o que complica respostas públicas. Alcançar adultos fora da escola formal exige programas de educação digital e de letramento midiático bem desenhados e sustentados. O desenvolvimento de competências, incluindo noções básicas de 'alfabetização algorítmica', aparece como condição para recuperar o hábito de checar e interpretar informações.
Do ponto de vista político e institucional, o recuo no interesse pela verificação de fatos acende alerta: enfraquece a prestação de contas, amplia custo político de medidas impopulares e reduz capital de confiança necessário para decisões coletivas. A resposta não é só trabalho da imprensa; passa por políticas públicas eficientes e por parcerias com escolas, setor privado e sociedade civil.
A solução exige investimento focalizado e ação coordenada. Sem reverter o desengajamento informacional, o debate público tende a perder qualidade e as instituições, sua base de legitimidade. Tornar a checagem uma prática social valorizada não é luxo intelectual, é requisito mínimo para a saúde da democracia.