Faltando pouco menos de dois meses para a Copa do Mundo, 54% dos brasileiros afirmam não ter interesse em acompanhar o torneio, segundo pesquisa Datafolha realizada entre 7 e 9 de abril com 2.004 entrevistados. É o maior percentual desde o início da série histórica, em 1994, e supera em um ponto o recorde anterior registrado antes da edição de 2018. A margem de erro é de dois pontos percentuais; 31% disseram que não pretendem assistir às partidas.
O desinteresse é desigual por sexo: 62% das mulheres e 46% dos homens dizem não ter interesse. Entre explicações apontadas no levantamento e em entrevistas à Folha estão o desempenho recente da seleção — que encerrou as Eliminatórias na quinta colocação, sua pior posição histórica — e resultados fracos em amistosos, com derrotas que reduziram a confiança do torcedor.
Além do aspecto esportivo, fatores externos contribuem para a apatia. Entre fontes ouvidas pela reportagem houve menção à mudança do 'clima de Copa' nas rotinas de consumo e trabalho, ao desgaste simbólico da camisa após associações políticas e à rejeição provocada pelo fato de os Estados Unidos serem uma das sedes. Esses elementos combinados ajudam a explicar por que o torneio não mobiliza como antes.
O recorte por orientação política mostra padrões semelhantes: eleitores de Lula e de Bolsonaro demonstram níveis comparáveis de apatia — 17% e 15% declaram grande interesse, respectivamente, enquanto 51% e 56% não pretendem acompanhar (margens de erro de 3 e 4 pontos). O retrato deixa um sinal claro para emissoras, patrocinadores e a CBF: a expectativa de menor audiência e de engajamento reduzido pode comprometer receita, visibilidade e o potencial de mobilização popular ao redor do evento.