Levantamentos recentes da Abecs em parceria com o Datafolha e da empresa SYN apontam que o Dia das Mães deve movimentar cerca de R$ 17 bilhões no país, alta de 4,25% em relação a 2025. A pesquisa Abecs/Datafolha ouviu 1.930 pessoas nos dias 5 e 6 de abril de 2026; o número consolida a expectativa de recuperação moderada do consumo nesse período sazonal.

O gasto médio projetado é de R$ 262 por compra, acima dos R$ 249 registrados em 2025 e dos R$ 229 de 2024. Entre consumidores das classes A e B e entre homens, a média supera R$ 320. A preferência por lojas físicas é clara: 72% dos entrevistados disseram que vão às lojas presenciais, contra 25% que escolheram o comércio eletrônico. Há ainda forte variação por faixa etária — intenção de compra chega a 87% entre 18 e 24 anos e cai para 35% entre quem tem 60 anos ou mais.

O estudo da SYN, aplicado a 5.520 frequentadores de quatro shoppings em São Paulo e no Rio de Janeiro, indica que 75% pretendem presentear e que 65% planejam comprar presencialmente. Beleza (18%), vestuário (17,8%), calçados (16,8%) e perfumaria (16,2%) lideram as preferências. Preço e promoções são o fator decisivo para 29,1% dos consumidores; metade admite deixar as compras para a última semana antes da data. Para a comemoração, 49,8% planejam festejar em casa e 40,7% programam almoço ou jantar fora.

No que diz respeito ao pagamento, o cartão de crédito parcelado aparece como principal meio. Na pesquisa Abecs/Datafolha, 37% citaram o cartão e, entre eles, 61% pretendem parcelar. No levantamento da SYN, o crédito parcelado lidera com 33,3%, seguido por cartão à vista (24,7%), débito (16,7%) e Pix (14,4%). Além disso, 54% afirmaram que vão presentear mais de uma mulher na família — sogra, avó, irmã ou esposa.

O quadro traz sinais positivos para o varejo físico: maior fluxo e intenção de compra sustentam receitas de curto prazo. Ao mesmo tempo, a dependência do parcelamento concentra risco para o consumidor e para o crédito ao consumo caso juros ou inadimplência subam. Para os lojistas, o desafio é transformar a presença em conversão, equilibrando promoções e margens. No conjunto, os levantamentos mostram um consumo ainda sensível a preço e condição de pagamento, mais do que a uma recuperação estrutural de renda.