O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios do MTE revela que a diferença média entre os salários de homens e mulheres é de 21,3% nas 53,5 mil empresas com ao menos 100 empregados. Enquanto o rendimento médio masculino chega a R$ 5.039,68, a média feminina é de R$ 3.965,94 — ou seja, as mulheres recebem hoje 78,7% do que ganham os homens.
O estudo registra um aumento de 11% na contratação feminina desde 2023, quando a série começou após a Lei da Igualdade Salarial. No total, o número de mulheres com vínculo formal subiu de 7,2 milhões para 8 milhões, um acréscimo de 800 mil vagas. Entre mulheres negras, a expansão foi ainda mais intensa: 29%, saltando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos.
Apesar da melhora no acesso ao emprego, a distância salarial praticamente não se alterou na ponta: eram 20,7% em 2023, passaram para 21,3% agora, e estavam em 21,2% em novembro de 2025. O relatório estima que, para equalizar participação e rendimento, seria necessária uma elevação de R$ 95,5 bilhões na massa salarial feminina — um parâmetro que expõe o tamanho do desafio.
Houve avanços nas práticas internas: aumento da jornada flexível, maior oferta de auxílio-creche, expansão de licenças parentais estendidas e crescimento de planos de cargos e salários. Também subiu a proporção de empresas que dizem promover mulheres. Ainda assim, o estudo aponta resistência empresarial diante dos custos que mudanças estruturais podem gerar.
O relatório destaca variações por porte: em empresas de 251 a 500 funcionários, a remuneração feminina caiu de 82,2% para 80,9% da masculina; entre as de 1.001 a 2.000, a queda foi de 76,5% para 75,2%. Esses recortes indicam que a desigualdade tem dimensões setoriais e de escala que políticas genéricas podem não alcançar.
A leitura política e econômica é clara: aumento das vagas para mulheres e melhora de benefícios corporativos não bastam enquanto critérios de promoção e diferenciais por tempo de empresa mantiverem vantagem aos homens. O dado alerta para a necessidade de combinações entre regulação, incentivos e governança corporativa para transformar contratação em igualdade efetiva. O levantamento processou 19,3 milhões de vínculos formais.