O Itaú Unibanco anunciou nesta terça-feira (28) que Diogo Guillen, ex-diretor de política econômica do Banco Central, será o novo economista-chefe do banco a partir de 1º de julho. A posse respeita o período de quarentena previsto em lei — padrão de seis meses aplicado a integrantes de cargos com acesso a informações sensíveis do mercado financeiro.
Guillen ocupou a diretoria de política econômica do BC entre abril de 2022 e dezembro de 2025. Economista formado pela PUC‑Rio, ele já trabalhou no Itaú entre 2015 e 2021 e ficará responsável por coordenar as projeções, relatórios e análises macro que orientam a instituição. Ele sucederá Mário Mesquita, que deixa o posto após quase uma década no cargo; entre maio e julho Mesquita atuará como consultor para a transição.
A movimentação integra um padrão recorrente no mercado: transições entre ex-diretores do BC e instituições privadas são frequentes — exemplo recente foi Roberto Campos Neto, que passou do BC para vice-chairman do Nubank. A própria trajetória de Mesquita também reflete esse circuito, substituindo Ilan Goldfajn no Itaú quando este foi para a presidência do Banco Central durante o governo do ex-presidente Michel Temer.
Do ponto de vista político e de mercado, a nomeação acende alerta para o debate sobre a chamada porta‑giratória: embora a quarentena legal seja cumprida, a sucessão reabre questões sobre salvaguardas, transparência e o custo reputacional para bancos que recrutam ex-reguladores. Para o Itaú, o desafio é preservar a credibilidade e a independência técnica de suas análises macro sem abrir margem a suspeitas que possam afetar a relação com clientes e reguladores.