O dólar abriu em alta nesta quinta-feira, subindo 0,45% e sendo negociado a R$ 5,053 por volta das 9h49, numa sessão marcada por ruído político doméstico. No centro da reação está a pesquisa Quaest que deu 46% a Flávio Bolsonaro e 44% a Luiz Inácio Lula da Silva — diferença dentro da margem de erro de dois pontos, configurando empate técnico — e a aprovação pelo Senado de mudança na jornada de trabalho que prevê o fim da escala 6x1.

O movimento ocorre, no entanto, em contramão ao exterior: o índice DXY, que mede o dólar frente a moedas fortes, caía 0,47% no mesmo horário. Analistas ouvidos no mercado apontam que a combinação entre incerteza eleitoral e sinais de maior custo trabalhista pressiona a abertura. Segundo Rodrigo Marcatti, da Veedha Investimentos, a agenda política tende a deixar o pregão mais pressionado na abertura.

A aprovação no Senado, iniciativa do governo, alimenta preocupação sobre aumento de despesas para empresas e impacto nos ativos domésticos. No cenário local, o IBGE mostrou que as vendas no varejo cresceram apenas 0,1% em agosto ante julho e 0,4% em 12 meses, resultado inferior às projeções de mercado (0,7% e 1,45%, respectivamente). Na véspera, o dólar fechou a R$ 5,030 (+0,14%) e a Bolsa recuou 0,18%, aos 206.505 pontos.

Externamente, a alta do CPI dos EUA em setembro (+0,6% no mês e 3,7% em 12 meses) e o núcleo da inflação (+0,3% e 2,6% em 12 meses) reforçam trajetória de inflação mais resistente, elevando a expectativa de aperto pelo Fed e sustentando a demanda por dólar. A pesquisa acende alerta para o plano político do governo; a aprovação amplia pressão sobre a narrativa de responsabilidade fiscal e exige reação para recompor a confiança dos investidores.