O dólar recuou 0,18% na sexta-feira (17), fechando a R$ 4,983, após sinais de que Estados Unidos e Irã podem avançar em um acordo que reduza as tensões no Oriente Médio. A cotação chegou a R$ 4,950 no início do pregão, beneficiada pelo otimismo com uma possível trégua e pelo anúncio de reabertura do Estreito de Hormuz, via crucial para o suprimento global de energia.
A notícia derrubou o petróleo Brent em mais de 10% — chegou a ficar abaixo de US$ 90 — e enfraqueceu o dólar no exterior, ao mesmo tempo em que minou o principal suporte recente para a renda em reais: os papéis de empresas de energia. O Ibovespa fechou em baixa de 0,55%, a 195.733 pontos, com as ações da Petrobras registrando queda em torno de 5%.
Analistas destacam forças opostas: o dólar mais fraco tende a favorecer moedas emergentes e ativos de risco, mas a queda do petróleo prejudica empresas do setor que vinham sustentando o real. Especialistas ouvidos pela imprensa alertam que a normalização do tráfego por Hormuz pode reduzir o prêmio de risco da commodity e reacomodar fluxos de capital, limitando a recuperação adicional da moeda brasileira.
O cenário político-geopolítico segue volátil: autoridades iranianas anunciaram a passagem livre de navios comerciais por Hormuz durante o cessar-fogo, mas não houve clareza sobre a abrangência do acordo. Relatos de que petroleiros iranianos transportaram volumes significativos nas últimas semanas também alimentam incerteza. Para investidores e para o governo, a combinação de petróleo mais barato e ações em queda traz efeito direto sobre receitas, valor de mercado da estatal e expectativas fiscais.