O dólar fechou em queda de 0,19%, a R$ 4,973, nesta segunda-feira (20), marcando o menor patamar desde 7 de março de 2024, quando valia R$ 4,933. O recuo da moeda brasileira superou o movimento observado no exterior: o índice DXY caiu apenas 0,03% ao longo do pregão. Na mesma sessão, a Bolsa caiu, na verdade fechou em alta, de 0,20%, aos 196.132 pontos, sustentada principalmente pelas ações do setor de petróleo.
O principal motor foi a nova disparada do petróleo: o Brent avançou 5,03%, a US$ 94,93 no contrato de junho, e chegou a alcançar US$ 97,50 na máxima intradiária (alta de 7,8%). O salto reflete a interrupção do tráfego no estreito de Hormuz — passagem por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e GNL — após ataques e contramedidas entre forças iranianas e norte-americanas. Dados de navegação indicavam fluxo significativamente reduzido, com apenas três travessias nas últimas 12 horas.
No mercado local, as ações da Petrobras subiram 1,83% (ordinárias) e 1,73% (preferenciais); papéis da Brava avançaram mais de 4%. Analistas citados por instituições como XP e StoneX destacam que o aumento das tensões beneficia exportadores líquidos de petróleo, fortalece o real e pode ajudar a mitigar pressões inflacionárias no curto prazo. Ao mesmo tempo, alertam para o caráter temporário do efeito: uma eventual queda dos riscos geopolíticos devolveria apetite por risco e poderia reverter parte dos ganhos.
Além do impacto nos preços e nos ativos, o episódio reacende a vulnerabilidade externa do país a choques de oferta e complica cenários para política monetária e fiscal: melhora pontual da moeda pode reduzir cobranças inflacionárias, mas não elimina incertezas sobre fluxo de comércio e receita de exportação. No front diplomático, houve relatos de ofensivas navais e a perspectiva de novas negociações entre os países envolvidos, o que mantém o cenário de preços do petróleo volátil e sujeito a mudanças rápidas.