O dólar operava em queda na manhã desta sexta-feira (2), devolvendo parte da forte alta da véspera. Por volta das 9h51, a moeda recuava 0,17%, cotada a R$ 5,214, em um dia marcado pela combinação entre a divulgação da pesquisa Datafolha e a leitura dos dados de emprego nos Estados Unidos.

O levantamento do Datafolha, divulgado na quinta, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 45% dos votos válidos no primeiro turno ante 40% de Flávio Bolsonaro; no segundo turno os dois aparecem tecnicamente empatados (48% a 45%), com margem de erro de dois pontos. A pesquisa acende alerta para o Planalto por reduzir espaço de folga política e renovar incertezas que podem se traduzir em maior sensibilidade dos ativos a notícias.

No plano internacional, a alta dos rendimentos dos Treasuries pesou na dinâmica global: o título de 10 anos chegou a 5,34% e o de 30 anos a 5,69%. O índice DXY avançou 0,57%, e o petróleo voltou a subir acima de US$ 100 (US$ 102, alta de 4,73%), movimento que favoreceu papéis da Petrobras. O Ibovespa fechou em alta de 0,45%, aos 187.192 pontos, mas registrou volatilidade: bancos pressionaram o índice após efeito da queda das ações do Santander na Espanha e realização de lucros.

Economistas consultados destacam que o quadro é de combinação de riscos — política doméstica mais apertada, juros globais em alta e petróleo volátil — que tende a manter episódios de correção e fluxo para proteção em dólar. Para investidores e para o governo, o resultado é um lembrete de que notícias eleitorais e dados externos seguem capazes de alterar rapidamente custo de financiamento e apetite por risco no Brasil.