O dólar abriu em queda na manhã desta sexta-feira, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior, mas o alívio cambial foi parcial diante da elevação das taxas de juros futuros. Por volta das 9h30 a moeda recuava 0,17%, para R$ 5,078, enquanto o índice DXY caía 0,35%. A sessão reverteu apenas parte da forte alta de quinta, quando o dólar subiu cerca de 1,15%.

Pesquisas eleitorais voltaram a tensionar investidores. Dados divulgados nos últimos dias mostram um cenário de segundo turno muito equilibrado: Datafolha indicou 51% a 49% nos votos válidos a favor de Flávio Bolsonaro sobre Lula, dentro da margem de erro, e levantamentos anteriores, como Quaest, também registraram empate técnico. Faltando nove dias para o segundo turno, o movimento reforça a percepção de incerteza política.

A reação dos mercados foi heterogênea: enquanto o câmbio era beneficiado pelo movimento global, os contratos de juros DIs subiram — a taxa de janeiro de 2028 foi a 12,92% (alta de 4 pontos-base) e a de 2029 a 12,69% (alta de 6 pontos-base). Para analistas, a combinação indica que o mercado passou a precificar um prêmio maior por risco eleitoral e por possíveis efeitos fiscais futuros, ainda que a candidatura de Flávio seja associada a expectativas de ajuste mais estrito.

Além do quadro eleitoral, investidores seguem atentos a riscos domésticos de custo: o avanço, no Senado, de proposta que prevê o fim da escala 6x1 voltou a alimentar preocupação com aumento de despesas das empresas e impacto sobre preços, como apontou Lucas Xavier, da AW Capital. O Ibovespa já havia recuado 1,05% na véspera, a 204.324 pontos, em sessão marcada por incertezas sobre custos e inflação. Em resumo, o alívio cambial convive com um aumento do prêmio de risco nas taxas, cenário que exige vigilância dos agentes econômicos e dos próprios candidatos.