O dólar abriu praticamente estável nesta sexta-feira, oscilando ao redor de R$5,14, enquanto o mercado digeria uma nova pesquisa Datafolha que mostra empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro entre eleitores de 16 a 24 anos. Às 9h54 a moeda marcava leve alta de 0,01%, cotada a R$5,140, depois de ter fechado na véspera em R$5,139 (-0,25%). Na faixa etária jovem, Lula aparece com 39% contra 29% de Flávio, mas a margem de erro de seis pontos torna o quadro tecnicamente indeterminado.
Além das pesquisas, operadores monitoravam os leilões combinados anunciados pelo Banco Central: duas operações de linha, com compromisso de recompra, que somam US$1 bilhão e visam dar liquidez ao mercado à vista. O Ibovespa reagiu de forma contida e fechou em alta discreta, sustentado por papéis como Vale, que avançou cerca de 2%, num movimento que analistas atribuem à correção após perdas recentes e ao desempenho positivo de commodities.
O anúncio do reajuste de 15,04% no Bolsa Família entrou na conta do mercado como um elemento de incerteza fiscal. Fontes do setor financeiro destacam que o aumento implica desembolso adicional de cerca de R$5,8 bilhões em 2026 e aproximadamente R$22 bilhões em 2027, trazendo dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e sobre a necessidade de medidas de ajuste no próximo ano. Especialistas de investimento também alertam para o efeito sobre a demanda agregada e para o questionamento sobre o momento e a forma da correção.
No campo político-eleitoral, as pesquisas (incluindo levantamento recente da AtlasIntel/Bloomberg) reforçam sinal de que a disputa está mais acirrada do que parecia semanas atrás — um quadro que tende a influenciar narrativas de risco político e decisões de investidores no curto prazo. Analistas lembram, porém, que sondagens são retratos momentâneos: o mercado seguirá atento às novas pesquisas, às ações do BC e a qualquer sinal adicional sobre a política fiscal até o primeiro turno.