O dólar encerrou a quinta-feira (23) em R$ 5,003, alta de 0,59%, retomando o patamar acima de R$ 5 pela primeira vez desde 10 de abril. O mercado fez um pregão volátil: a moeda chegou a cair para R$ 4,940 (-0,67%) na mínima do dia, mas reverteu a queda com a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã.

O cenário geopolítico pesou sobre os ativos: o presidente norte-americano afirmou não sentir pressão para encerrar o conflito com Teerã e advertiu que o tempo corre para o Irã, além de autorizar ações navais contra embarcações que plantem minas no estreito de Hormuz. Teerã reportou explosões e acionamento de defesas antiaéreas em Teerã; fontes informaram ainda sobre retenção de petroleiros pela Guarda Revolucionária e abordagem de navio com petróleo iraniano no oceano Índico. Uma fonte israelense disse não ter participado das supostas ofensivas.

A aversão ao risco elevou o preço do petróleo: o Brent subiu 4,02%, a US$ 106,01 o barril, alcançando máxima intradiária de US$ 107,37 — a maior desde 7 de abril — e pressionou os mercados globais. Nos EUA, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones registraram recuos, enquanto o Euro Stoxx 50 caiu na Europa. No Brasil, o Ibovespa recuou 0,78%, fechando em 191.378 pontos, em um movimento de correção após recentes altas.

Analistas apontam que a combinação de risco geopolítico e realização de lucros explica a deterioração do humor. Para o Itaú BBA, vendas recentes refletem investidores embolsando ganhos diante da incerteza; a Ágora vê o movimento como correção dentro de uma tendência de alta. A continuidade das restrições no estreito de Hormuz e a falta de avanços diplomáticos mantêm os mercados atentos, o que acende alerta sobre a necessidade de um impulso adicional para sustentar novas altas no cenário doméstico.