O anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã derrubou os preços do petróleo e empurrou o dólar para baixo nesta sexta-feira no Brasil. A moeda americana caiu 0,20%, encerrando o dia a R$4,9836 — menor fechamento desde 27 de março, quando valia R$4,9805. Na semana, o dólar acumulou baixa de 0,53% e, no ano, recuo de 9,21%.
O movimento, porém, não foi suficiente para sustentar a bolsa. O Ibovespa registrou queda de 0,55%, a 195.733,51 pontos, no terceiro pregão seguido no vermelho e fechando a semana com perda de 0,81%. O tombo do petróleo atingiu com força ações da Petrobras e de outras petrolíferas negociadas na B3, refletindo o impacto direto da variação da commodity sobre o mercado acionário.
O Estreito de Ormuz é rota para cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial e estava praticamente bloqueado desde o início do conflito, após ataques que envolveram Estados Unidos e Israel. A recomposição do fluxo internacional trouxe alívio para os preços da commodity, mas expôs vulnerabilidades: a queda do petróleo reduz receitas e valuation das petrolíferas, com efeitos imediatos sobre papéis, dividendos e arrecadação ligada ao setor.
Politicamente e economicamente, o episódio acende um alerta sobre a sensibilidade do mercado brasileiro a choques externos. Embora a baixa do dólar alivie custos de importação e pressione inflação, também pressiona empresas dependentes do preço do petróleo e amplia incertezas sobre a trajetória de recuperação da bolsa. Investidores seguem atentos: reviravoltas geopolíticas na região podem inverter rapidamente os sinais atuais.