O dólar fechou praticamente estável nesta sexta-feira, com queda discreta de 0,08%, cotado a R$ 4,998. A moeda oscilou em margem estreita ao longo do pregão, variando entre R$ 4,995 e R$ 5,025. Lá fora, o DXY recuou 0,31%, a 98,52 pontos. A Bolsa brasileira acompanhou cenário mais nervoso e caiu 0,33%, terminando aos 190.745 pontos; entre os papéis, Brava teve forte perda enquanto Usiminas foi destaque positivo.

O dia foi dominado pela perspectiva de novas conversas entre Estados Unidos e Irã, com movimentações diplomáticas em direção a Islamabad. O chanceler iraniano Abbas Araghchi viajou ao Paquistão para levar propostas de Teerã aos anfitriões; fontes também apontaram que dois negociadores americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, rumavam à capital paquistanesa. A combinação de informações, por vezes conflitantes, renovou a esperança de retomada do diálogo.

Analistas dizem que sinais de continuidade nas conversas, somados à extensão temporária de cessar-fogo em regiões vizinhas, têm reduzido parte do prêmio de risco, ao mesmo tempo em que a persistência do impasse sustenta preços do petróleo. O Brent caiu de picos vistos no dia e rondava cerca de US$105 por barril. Para conter distorções no câmbio, o Banco Central anunciou um "casadão" com leilão à vista de US$1 bilhão e operação de swap reverso simultânea.

Para o Brasil, exportador de petróleo, a alta do petróleo traz ganhos via balança e fluxo de capitais, mas a busca por proteção diante da incerteza geopolítica tende a pressionar ativos domésticos e o câmbio. Na prática, o mercado segue alternando entre momentos de alívio e episódios de proteção: enquanto não houver sinal claro de normalização do tráfego em Hormuz e de avanço decisivo nas negociações entre EUA e Irã, a volatilidade deve permanecer elevada.