No último pregão antes do segundo turno, o dólar abriu oscilando perto da estabilidade, registrando leve queda de 0,03% e sendo cotado a R$ 5,036 por volta das 9h29. O movimento reflete um mercado dividido entre a realização de ganhos recentes e a cautela com a disputa presidencial, que entra na reta final com cenário tecnicamente empatado.
O termômetro político foi a pesquisa Datafolha divulgada após o fechamento do pregão, que aponta empate nos votos válidos quando os números são arredondados (50% a 50%); sem arredondamento, mostra 50,47% para Flávio Bolsonaro e 49,53% para Lula. Levantamento feito entre terça e quinta tem margem de erro de 2 pontos e reforça a percepção de que a corrida está mais apertada do que nas semanas anteriores — sinal que deixa investidores mais avessos ao risco.
No front econômico, o IPCA‑15 desacelerou para 0,32% em outubro ante 0,70% em setembro, ficando abaixo da mediana das projeções (0,45%) e do piso estimado pelo mercado (0,33%). Apesar do alívio inflacionário, preocupações externas, como a alta do petróleo, e a incerteza política pressionaram os juros futuros: a taxa DI para jan/2028 subiu para 12,900% (+13 pontos‑base) e a de jan/2030 para 12,695% (+11 pontos‑base). Na véspera, o dólar avançou 0,23% e o Ibovespa recuou 1,15%, para 204.120 pontos.
O principal efeito prático é manter a volatilidade: pesquisas cada vez mais apertadas complicam a narrativa de recuperação de confiança que vinha beneficiando o real e a Bolsa, enquanto um quadro indefinido pode elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores. Com novo levantamento previsto para sábado, o mercado segue de prontidão — e a definição do domingo tende a ditar o tom dos ativos e das expectativas fiscais nas próximas semanas.