O dólar abriu perto da estabilidade nesta quinta-feira (1º), com alta marginal de 0,06% por volta das 9h53, cotado a R$ 5,176 — movimento acompanhado de perto por investidores que aguardam a nova pesquisa Datafolha sobre intenções de voto para a Presidência e cinco governos estaduais, a três dias do primeiro turno. O DXY, índice que mede o dólar frente a seis moedas fortes, avançava 0,31%, sinalizando apreciação da moeda americana ante outros pares.
No front externo, a leitura do PCE, indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve, mostrou desaceleração em linha com expectativas: alta mensal de 0,3% e inflação anual em 3,4%, abaixo da projeção de 3,7%. A combinação da menor pressão de preços nos EUA e a expectativa de alternância política no Brasil estimularam demanda por risco, contribuindo para a reação positiva das ações observada na véspera. Ao mesmo tempo, a commodity ganhou força: o petróleo subia cerca de 2% e voltava a superar US$ 100 por barril após a China suspender exportações de derivados, adicionando um componente de risco externo ao câmbio.
No mercado doméstico, a sessão de quarta-feira terminou com o dólar recuando 0,82%, a R$ 5,173, e a Bolsa subindo 1,36% (186.340 pontos), depois de atingir máxima intradia maior. Parte dos investidores interpreta que uma eventual alternância de poder poderia ser associada a uma condução fiscal mais rigorosa, reduzindo o prêmio de risco sobre a dívida e aliviando pressão sobre a curva de juros — uma narrativa que pressiona o governo a demonstrar controle das contas públicas e explica a sensibilidade das cotações a sinais políticos.
A pesquisa do Datafolha será divulgada no início da noite, antes do debate entre presidenciáveis na TV Globo, previsto para começar por volta das 21h20; o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem participação prevista, enquanto o presidente Lula fará entrevista a um podcast no mesmo horário. Os números também serão comentados em live com a diretora do instituto, Luciana Chong, a colunista Mônica Bergamo e o diretor da sucursal de Brasília, Bruno Boghossian, a partir das 19h — uma janela de reação que pode coincidir com ajustes imediatos em ativos e estratégias dos gestores.