O dólar abriu a sessão desta segunda-feira em queda moderada, recuando 0,27% e sendo negociado a R$ 5,1502 por volta das 9h16. Na sexta-feira a moeda já havia registrado ajuste para baixo após duas sessões de forte valorização impulsionada pelas decisões de juros nos EUA e no Brasil; o fechamento anterior foi a R$ 5,164. A bolsa teve variação marginal positiva, em dia de baixa liquidez por conta de feriado nos Estados Unidos.
Além do fluxo doméstico, operadores disseram que a cena política influenciou parcialmente o humor: a pesquisa Datafolha divulgada no sábado repete um quadro de segundo turno estável entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, com 47% contra 43% respectivamente, e 8% de brancos e nulos. O levantamento foi lido pelo mercado como um retrato do momento eleitoral, sem alterar significativamente expectativas de curto prazo, mas mantendo o cenário político sob observação por seu potencial impacto em decisões econômicas futuras.
O fator externo, porém, pesou mais na abertura. O adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, somado a novos confrontos entre Israel e o Hezbollah, reacendeu dúvidas sobre a durabilidade do memorando assinado na semana passada. Analistas de mercado entenderam que o risco de o acordo não se sustentar eleva a aversão ao risco e torna os investidores mais cautelosos, especialmente com os mercados americanos fechados pelo feriado.
No campo doméstico, a atenção se volta à política monetária: o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% e o comunicado foi interpretado por boa parte do mercado como mais brando do que o esperado. Essa sinalização aumentou incertezas sobre a função de reação do Banco Central — a capacidade da autoridade monetária de responder de forma coerente a choques inflacionários — e alimentou dúvidas sobre o ritmo e o alcance de futuros cortes. A ata do Copom, prevista para terça-feira, passa a ser um ponto-chave para calibrar preços e avaliar volatilidade nos próximos dias.