O dólar abriu em queda nesta sexta-feira, com a cotação recuando 0,43% para R$ 5,002 (9h57), enquanto o índice DXY subia 0,18%. Investidores passaram a incorporar no preço dos ativos o primeiro levantamento do Datafolha após a definição do segundo turno, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos ante 48% de Lula, e os dados de inflação do IBGE.

O IPCA avançou 0,82% em setembro, depois de deflação de 0,32% em agosto, ficando acima da mediana das projeções (0,76%). É a maior variação para setembro desde 2021. Para analistas, o número reafirma uma trajetória de preços que dificulta a agenda de cortes na Selic: a surpresa inflacionária tende a limitar o apetite por risco e a reduzir o espaço para afrouxamento monetário nas próximas rodadas.

No front doméstico, o mercado já havia fechado em alta na véspera — o Ibovespa subiu 0,93%, aos 206.222 pontos — num dia marcado pela expectativa eleitoral e pela entrada de fluxo estrangeiro. Analistas ressaltam que o movimento atual mistura efeito eleitoral e avaliação de fundamentos: parte do ajuste é técnico após ralis recentes, mas a combinação de poll e inflação eleva a cautela, sobretudo com o feriado que fecha a B3 na segunda-feira.

O petróleo também pressionou: o Brent subiu 3,61% a US$ 103,80 (17h09), reflexo das tensões no Oriente Médio. A alta do petróleo impulsionou as ações da Petrobras (PETR4), que fecharam em alta de 2,11% a R$ 55,48. Além disso, relatos sobre possibilidade de ofensiva dos EUA contra o Irã e um ataque dos houthis que atingiu um avião saudita em Riad alimentam o risco geopolítico. No conjunto, eleitorado, inflação e petróleo formam um quadro que tende a aumentar volatilidade e a complicar decisões de política econômica no curto prazo.