O ministro da Fazenda, Dario Durigan, embarca na segunda-feira (13) para compromissos nos Estados Unidos, Espanha e Alemanha — a primeira série de encontros no exterior desde que assumiu o cargo no lugar de Fernando Haddad. A agenda, que vai até o dia 20, tem como ponto de partida as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Washington e prevê ainda participação na comitiva presidencial na Europa a partir de 19 de março.

No roteiro oficial constam temas centrais para a estratégia externa do governo: reforma tributária internacional, transição energética e fortalecimento de instituições multilaterais. Também estão previstas conversas com autoridades de alto escalão citadas pelo palácio — entre elas Kristalina Georgieva, Roland Lescure, Lan Fo’an, Ajay Banga e Lars Klingbeil — o que confere tom técnico e político às reuniões e coloca o Brasil em diálogo direto com os principais atores da governança econômica global.

A viagem funciona como um primeiro teste político para Durigan. Além de projetar a imagem do país em debates sobre clima e justiça fiscal, a missão acende alerta doméstico: sem sinais claros sobre postura fiscal e cronograma de reformas, o governo corre o risco de complicar a narrativa governista frente a mercados e parceiros. Ao mesmo tempo, a presença junto à comitiva do presidente é oportunidade para recompor agenda internacional e tentar traduzir compromissos em medidas concretas.

O que ficará em jogo nos próximos dias é a capacidade do ministério de transformar diálogos multilaterais em proposta clara ao país — especialmente em relação a custos, prazos e articulação política necessária. Se a viagem apenas reproduzir intenções gerais, aumentará a pressão sobre a pasta; se trouxer iniciativas objetivas, poderá fortalecer a interlocução externa e dar margem para mitigar críticas internas sobre a transição na equipe econômica.