Retomar os estudos foi, na prática, uma libertação para Sandra Pereira, 45 anos. Aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na EEMTI João Mattos, em Montese, ela procurou a escola em momento pessoal difícil e encontrou na sala de aula um estímulo para seguir adiante e reconstruir rotina e projetos.

A modalidade EJA destina-se a quem não pôde concluir o ensino na idade regular e oferece alternativas: EJA Regular (presencial), EJA Qualifica (com certificação profissional) e um formato semipresencial que permite ritmo próprio. No Ceará, a rede registra 41.182 matrículas no ensino médio da EJA, distribuídas em 34 Ceja, nove deles em Fortaleza.

Sandra diz que o convite de uma colega e o acolhimento da escola foram decisivos. As condições que impedem a escolarização na juventude — trabalho, filhos, dificuldades econômicas — aparecem na trajetória de muitos alunos. Para ela, a oportunidade serviu não só para concluir estudos, mas para abrir caminho a futuras escolhas, como Pedagogia ou Direito.

A oferta regulamentada pelo Programa Escola em Tempo Integral e amparada pela Lei nº 16.287/2017 incorpora a EJA aos serviços estaduais de ensino, mas os números também expõem um desafio: há demanda significativa por flexibilidade e por integração com qualificação profissional, especialmente entre adultos que precisam conciliar estudo e trabalho.

Mais do que um relato pessoal, a experiência de Sandra aponta para um efeito prático da política educacional: reinserção social, melhora do bem-estar e potencial para mobilidade econômica. Esses ganhos reforçam a importância de manter e aperfeiçoar modelos que deem resposta à diversidade de trajetórias daqueles que voltam à escola.