Cerca de 158,7 milhões de eleitores voltam às urnas neste domingo para decidir o próximo presidente. A pesquisa Datafolha divulgada na véspera do segundo turno registra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 51% dos votos válidos contra 49% do presidente Lula (PT) — diferença de apenas 2 pontos, classificada pelo instituto como empate técnico. No primeiro turno, Flávio havia ficado na frente com 47,03% contra 45,16% de Lula, uma margem de 1,87 ponto percentual — a menor entre primeiros turnos desde a redemocratização.

O levantamento que antecede a votação marca a disputa mais apertada em levantamentos de véspera do instituto desde 1989. A comparação com pleitos recentes ajuda a dimensionar a anomalia: em 2022 a diferença registrada pela mesma pesquisa na véspera fora de quatro pontos; em 2018, dez pontos separavam Bolsonaro e Haddad na pesquisa anterior ao segundo turno; e, em 2002, Lula liderava com folga. A sequência mostra que o atual empate técnico devolve à contagem a incerteza que costuma faltar em pesquisas de véspera.

Politicamente, o resultado acende alerta para ambos os lados. Para o incumbente, a aproximação corrói margem de manobra política e complica a narrativa de robustez eleitoral que sustenta eventuais agendas nos primeiros meses de governo renovado; para o candidato do PL, a vantagem numérica obtida no primeiro turno não se converteu em uma diferença consolidada, o que amplia a pressão sobre estratégia de alianças e comparecimento das bases. A presença no cenário de Jair Bolsonaro —ex-presidente condenado e preso, citada no material-base— segue como elemento que polariza eleitores e pode afetar mobilização e avaliação de risco institucional.

Na prática, uma disputa tão curta coloca a campanha e as estruturas partidárias sob tensão: turnout, logística de votação, operações de última hora e a capacidade de converter indecisos serão decisivos. O levantamento é um retrato do momento, não uma previsão definitiva —mas, por sua própria natureza, complica a narrativa de qualquer lado que aposte em vitória confortável, amplia o custo político de erros de campanha e pressiona por mensagens de governabilidade e ordem institucional caso o resultado confirme margem estreita nas urnas.