Discussões internas no governo Lula sobre medidas para aliviar o endividamento das famílias de baixa renda apontam para a possibilidade de liberação extra do FGTS, proposta recentemente citada pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Luiz Marinho (Trabalho). O tema ganhou urgência em ano eleitoral: desde o fim do programa Desenrola, em julho de 2023, o número de inadimplentes cresceu em cerca de 9 milhões, e o indicador atinge hoje quase 82 milhões de pessoas — o maior patamar desde 2012, segundo levantamento citado pela reportagem.

A composição das dívidas ajuda a explicar a pressão social: dados da Serasa indicam que a maior parte das pendências está com bancos e cartões de crédito, seguida por contas de consumo como água e luz e por financeiras. No episódio desta segunda-feira do podcast Café da Manhã, o geógrafo Kauê Lopes dos Santos, da Unicamp, e autor do livro Parcelado, examina como famílias periféricas chegaram a um padrão de endividamento crônico e relata o impacto cotidiano das dívidas em lares entrevistados desde 2009.

Do ponto de vista político e econômico, a proposta de liberar recursos do FGTS acende alerta sobre trade-offs fiscais e eficácia: além de trazer alívio imediato, a medida pode ter apelo eleitoral, mas não substitui políticas para reordenar crédito, proteger famílias da volatilidade de preços e regular o mercado de consumo com cartões e empréstimos. Para o Palácio do Planalto, o dilema é claro: responder a um problema visível ao eleitorado sem criar soluções de curto prazo que apenas adiem ajustes estruturais.

O debate público avança também na esfera da comunicação: o episódio do Café da Manhã, disponível no Spotify, reúne análises jornalísticas e entrevistas que ajudam a mapear causas e possíveis caminhos. Apresentado por Gabriela Mayer e Gustavo Simon, com produção da equipe indicada pela Folha, o programa oferece um retrato das consequências sociais do endividamento e do desafio que espera os formuladores de política em 2026.