Quase sete em cada dez famílias brasileiras convivem com algum tipo de dívida, aponta pesquisa do Datafolha realizada entre 8 e 9 de abril de 2026. O levantamento, com 2.002 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais, mostra que o endividamento é amplo e inclui desde operações formais até empréstimos entre amigos e parentes — destes, 41% não foram quitados pelos mutuários.
A inadimplência concentra-se no cartão de crédito, citado por 29% dos entrevistados como dívida em atraso; seguem-se empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%). O uso do crédito rotativo, acionado ao pagar o mínimo da fatura, atinge 27% da amostra, o que tende a agravar o endividamento em função dos juros elevados. Contas de serviços também registram atraso em 28% dos casos, com telefonia e internet e tributos (IPTU/IPVA) entre os itens mais citados.
O impacto no orçamento é visível: 45% dizem viver sob forte pressão financeira — 27% em situação “apertada” e 18% em nível mais grave —, 36% enfrentam dificuldades moderadas e 19% relatam restrição menor. Para equilibrar as contas, 64% cortaram lazer, 60% reduziram refeições fora e optaram por produtos mais baratos, 52% reduziram compras de alimentos e metade cortou gastos com água, luz e gás. Também houve relato de contas deixadas vencer (40%) e interrupção no pagamento de dívidas ou compra de remédios (38%).
Além do efeito social, os números acendem alerta político e econômico: a combinação de endividamento elevado, atraso em contas básicas e queda do consumo complica a narrativa oficial de recuperação e amplia desgaste sobre políticas de renda e juros. O dado reforça a necessidade de medidas que aliviem a pressão sobre famílias e a vigilância sobre o custo do crédito no País.