No fim de março, a Prefeitura de São Paulo entregou 968 apartamentos nos residenciais Bauru e Lajeado, em Guaianases, zona leste — a maior entrega simultânea da gestão. A iniciativa beneficiou famílias de baixa renda, muitas vindas de áreas de risco, mas provocou reclamações sobre falta de preparo da infraestrutura local, sobretudo do transporte coletivo.

Das unidades entregues, 190 foram destinadas a famílias indicadas pela Cohab e 778 a beneficiários do auxílio-aluguel depois de remoções em comunidades próximas. Moradores antigos e novos afirmam que a malha já opera no limite e apontam a linha 2004-10 — que liga o Jardim Nossa Senhora do Caminho à estação Guaianases — como exemplo: micro-ônibus com frota enxuta, atrasos e problemas mecânicos fazem usuários aguardarem até uma hora e meia nos picos.

SMT e SPTrans responderam que a oferta de ônibus é planejada por demanda e que o sistema é fiscalizado e monitorado para ajustes operacionais. O órgão informou que, atualmente, cerca de 18,5 mil lugares são ofertados por dia nas linhas que atendem o bairro, ante uma demanda registrada de aproximadamente 7,5 mil passageiros. A empresa Transunião foi multada por descumprimento de viagens programadas e notificada a corrigir a operação.

Os relatos locais encontram respaldo em números da cidade: foram 48.518 reclamações sobre ônibus municipais em 2025 e 252.676 autuações no ano anterior por viagens não cumpridas — a principal infração. A diferença entre a oferta declarada e a percepção dos usuários evidencia um desafio prático de distribuição e fiscalização: ampliar moradia sem ajuste real na mobilidade tende a transferir custos — inclusive políticos — para a prefeitura. Moradores exigem medidas concretas, como reforço de frota ou criação de linha dedicada, e cobram prazo e execução do poder público.