A Polícia Civil investiga uma disputa entre uma moradora e entregadores por aplicativo que começou na noite de terça-feira (14) e terminou, no dia seguinte, com atos de depredação contra um condomínio no bairro do Rocha, zona norte do Rio. Segundo imagens de circuito interno, o episódio teve início quando um entregador se recusou a entrar no prédio e pediu que a cliente fosse até a portaria buscar o pedido. A moradora, identificada como Tainá Paiva, foi vista nas imagens apontando um objeto semelhante a arma para dois entregadores — ela nega estar armada e afirma que as equipes policiais inspecionaram sua casa sem localizar qualquer armamento.
O vídeo inicial, registrado por câmeras e por celular, circulou em grupos de entregadores e serviu para mobilizar profissionais da região. Na tarde de quarta, um grupo retornou ao condomínio e imagens mostram homens arremessando objetos contra a entrada, arrancando o portão, quebrando vidros e danificando ao menos uma câmera de segurança. Em registros, um entregador sobe no muro e destrói um equipamento que é lançado ao chão. A Polícia Militar, acionada pelo 3º BPM e com apoio do RECOM, atuou para liberar a via; não houve registro oficial de presos ou feridos.
A 25ª DP (Engenho Novo) informou que investiga as circunstâncias do conflito. Entregadores, a moradora e o síndico prestaram depoimento, e diligências estão em curso com análise de imagens para apurar possíveis crimes de ameaça, invasão e depredação. Um dos entregadores registrou ocorrência por ameaça, e moradores registraram boletins sobre os danos ao patrimônio. Até o momento, não foram divulgadas medidas cautelares ou indiciamentos.
O episódio expõe, de forma aguda, a tensão entre trabalhadores de entrega e regras de segurança condominial, além do risco de escalada quando conflitos são amplificados por redes de comunicação. A investigação precisa identificar responsáveis e demonstrar respostas proporcionais para evitar que disputas pontuais se transformem em ações coletivas que põem em risco bens e moradores.