Dois em cada dez contribuintes que entregaram a declaração do Imposto de Renda no início do prazo caíram na malha fina — percentual de 19,3% — número que caiu para 10,6% nos últimos dias após identificação da origem dos erros: inconsistências na declaração pré‑preenchida alimentada por terceiros.

A Receita Federal aponta que falhas vêm, em grande parte, de dados incorretos enviados por empresas, especialmente pequenas e médias, desde a transição que substituiu a Dirf pelo uso exclusivo do eSocial e da EFD‑Reinf. Problemas técnicos de parametrização de rubricas e códigos de verbas na folha fazem salários, 13º, férias e descontos aparecerem com classificações ou valores errados.

O contribuinte deve declarar com base no informe de rendimentos que recebe de empregador, bancos e planos de saúde e guardar comprovantes. Declarar valores diferentes da pré‑preenchida não é, por si só, irregular — desde que o contribuinte consiga comprovar o que informou. Correções feitas pela empresa só surtem efeito se o evento for reenviado corretamente aos sistemas da Receita.

O episódio expõe a fragilidade operacional da migração de bases e transfere custo e risco ao cidadão, além de aumentar a carga de trabalho do Fisco: até a manhã da segunda‑feira 13 já haviam sido recebidas mais de 11 milhões de declarações. Trata‑se de um sinal para autoridades e empresas: aperfeiçoar parametrização, fiscalizar remessas e agilizar retificações é necessário para reduzir transtornos e custos administrativos ao contribuinte.