Hélio Schwartsman, em coluna recente, afirma que a corrupção é um fenômeno mais disseminado do que costuma-se admitir. Partindo de desconfianças pessoais — como o chamado “circuito Elizabeth Arden” de viagens e palestras envolvendo ministros do STF — o autor confessa ter subestimado o alcance dos mecanismos que transformam favor em ganho patrimonial.
O texto traça ainda uma lembrança política: nos anos 1990 o PT parecia alheio a escândalos que atingiam outros partidos, mas a expansão do poder executivo mostrou que ausência de casos públicos não equivale a virtude intrínseca. Schwartsman usa esse exemplo para questionar narrativas partidárias de exceção e para lembrar que oportunidade e acesso ampliam riscos de má conduta.
O colunista recorre à psicologia para explicar parte do fenômeno: estudos de Dan Ariely sugerem que a maioria das pessoas tende a ser honesta, mas aceita pequenas fraudes quando consegue justificar internamente o ato. A ironia — reconhecida por Schwartsman — é que a carreira acadêmica de Ariely sofreu avarias após revelação de irregularidades em um dos seus estudos, o que complica o discurso sobre modelos de honestidade.
A conclusão jornalística é clara: mais do que moralizar indivíduos, é preciso fortalecer mecanismos institucionais — transparência, controle externo, regras de conflito de interesse e responsabilização efetiva. A repercussão pública dessas denúncias e memórias torna evidente o custo político e institucional da complacência e exige respostas concretas do Judiciário e do Executivo.