Forças americanas interceptaram e abordaram o petroleiro Majestic X no oceano Índico nesta quinta-feira. Segundo o Pentágono, a embarcação — parte de uma chamada frota fantasma que costuma operar sob bandeiras de fachada — foi parada e revista, mas não foi apreendida como o cargueiro Touska havia sido no domingo anterior. A operação, realizada com helicópteros do Comando do Indo‑Pacífico, ocorreu longe da entrada do golfo Pérsico; o destino final do navio segue incerto.

O governo dos EUA diz ter barrado a passagem de dezenas de embarcações desde o início do embargo e usa a ação para limitar exportações iranianas, mas a tática tem limites. Na véspera, o presidente Donald Trump publicou em sua rede que deu ordens para a Marinha “atirar e matar” contra barcos iranianos que coloquem minas em Hormuz, e afirmou que os EUA têm “total controle” do estreito — declaração que contrasta com registros de monitores marítimos indicando embarcações que furaram o bloqueio. Fontes jornalísticas estimam que a remoção dos riscos causados por minas deve levar meses.

Do lado iraniano, autoridades reafirmaram o controle sobre Hormuz e disseram ter recebido e depositado no Banco Central a primeira parcela do pedágio que pretendem cobrar de navios que transitem pelo estreito. O valor não foi divulgado. Na prática, o anúncio funciona como demonstração de força e instrumento de barganha. Recentemente, a Guarda Revolucionária apreendeu dois cargueiros perto da costa iraniana — de bandeiras panamenha e liberiana — e divulgou imagens com trilha triunfalista; as operadoras informaram que as tripulações estão a salvo.

A sequência de ações e retóricas amplia os custos políticos e econômicos do confronto. O estreito de Hormuz é rota vital para o comércio de energia; qualquer aumento da tensão tende a pressionar preços e a complicar a narrativa do governo americano em ano eleitoral. Ao mesmo tempo, o bloqueio aplicado por Washington não garante controle total do tráfego, e o Irã tem mostrado capacidade de transformar a passagem em moeda de negociação — uma dinâmica que dificulta a saída para uma solução diplomática imediata.