Cinco coronéis da Polícia Militar do Distrito Federal condenados pelo ataque aos Três Poderes em 8 de janeiro passaram a dividir a mesma cela no batalhão conhecido como Papudinha, ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, e fizeram o que familiares e advogados descrevem como um 'acordo de paz'. Detidos desde 11 de março, eles vinham protagonizando desentendimentos antigos, reflexo de disputas por espaço e comando na corporação ao longo de três décadas de carreira.

Entre os presos estão dois ex-comandantes-gerais, Fábio Augusto Vieira e Klepter Rosa Gonçalves; outros dois militares que estavam na fila de sucessão, Jorge Eduardo Naime Barreto e Marcelo Casimiro; e Paulo José Ferreira, que já estava na reserva remunerada antes da prisão. Durante o processo, as defesas chegaram a trocar acusações sobre responsabilidades na invasão e na destruição das sedes dos Três Poderes. Nos primeiros dias de encarceramento houve 'lavagem de roupa suja', segundo relatos, até a decisão coletiva de não se apontarem mutuamente.

A trégua interna tem implicações práticas. Ao combinarem não incriminar-se, os réus reduzem fontes potenciais de prova entre eles e podem tornar mais complexa a construção de versões internas sobre a cadeia de comando e responsabilidades. Ao mesmo tempo, a expulsão dos cinco da PMDF, determinada pelo STF na segunda-feira (13) da semana passada, mostra a resposta institucional ao episódio e sinaliza perda definitiva de prestígio e carreira para os envolvidos.

O batalhão abriga ainda outros presos políticos do caso: o ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar em cômodo ao lado, e nomes como o ex-ministro Anderson Torres, o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto também cumprem pena no local. A cena — antigos rivais agora dividindo cela e evitando denúncias mútuas — revela tanto o colapso das hierarquias internas da PMDF quanto um movimento pragmático de defesa que terá efeito no andamento das apurações e na narrativa pública sobre o 8 de janeiro.