O Ministério Público apontou indícios de que o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, teve papel central na aprovação da compra de carteiras atribuídas ao Banco Master, em troca da transferência de seis imóveis de alto padrão em São Paulo e no Distrito Federal. A informação consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que cita avaliação total dos bens em R$ 146,5 milhões, dos quais cerca de R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos.

Segundo a apuração do MP, os imóveis fariam parte de um esquema de pagamento de propina vinculado à autorização das operações consideradas irregulares pela investigação. A linha de investigação destaca que a posição de comando ocupada por Costa no BRB teria sido determinante para a concretização das transações. O caso integra um conjunto mais amplo de apurações sobre supostas fraudes na aquisição de ativos pelo banco.

As alegações expõem risco concreto à governança do BRB, instituição com participação pública relevante, e levantam dúvidas sobre controles internos e compliance na gestão das compras de carteiras. Mesmo sem decisão judicial sobre a culpabilidade, a gravidade das informações alimenta questionamentos sobre fiscalização, responsabilidade dos conselhos e eventual custo político e administrativo para o próprio banco e para as autoridades que o supervisionam.

O fato de a investigação ter chegado ao STF e aparecer em decisão ministerial aumenta a pressão por transparência e por medidas corretivas. Parlamentares e órgãos de controle poderão usar o caso como argumento para reforçar auditorias e revisões de contratos; por ora, o processo segue em tramitação no Judiciário e a defesa do ex‑presidente não havia se manifestado até a última atualização.