O governo federal incluiu empresas que exportam para os países do Golfo Pérsico no pacote de socorro às companhias afetadas pelo chamado tarifaço americano. Publicada em edição extra do Diário Oficial, a medida regulamenta o acréscimo de R$ 15 bilhões ao Plano Brasil Soberano, programa anunciado em agosto de 2025 para mitigar efeitos de choques externos sobre exportadores brasileiros.

Estão contemplados exportadores e seus fornecedores que tenham ao menos 5% do faturamento vinculado às vendas para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã, Kuwait e Omã. Os recursos, originários do superávit do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), poderão ser usados para capital de giro, aquisição de equipamentos, ampliação da capacidade produtiva e adensamento da cadeia produtiva, conforme medida provisória editada em março.

O recurso do FGE eleva o custo político e fiscal da resposta do governo: no ano passado o programa emprestou pouco mais da metade dos R$ 30 bilhões inicialmente disponibilizados, e a transferência de R$ 15 bilhões do superávit significa menor folga no instrumento que garante operações de risco do comércio exterior. A ação responde aos choques provocados pelo conflito que se intensificou após ataques a instalações no Irã — medidas que alteraram rotas, encareceram insumos agrícolas e forçaram o governo a adotar medidas para segurar preços de combustíveis.

Do ponto de vista político e econômico, a ampliação do pacote coloca a equipe econômica diante de duas demandas simultâneas: justificar a origem dos recursos e demonstrar eficácia do crédito em preservar cadeias produtivas vulneráveis. Para exportadores, trata-se de um alívio direcionado; para o governo, a decisão levanta questões sobre sustentabilidade do mecanismo e tensão entre resposta emergencial e disciplina fiscal.