O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou nesta sexta (17) que o País vive uma crise relacionada à atuação do Judiciário e que a corte precisa repensar seus limites. Em palestra na FGV, em São Paulo, advertiu contra respostas antigas que apenas empurram problemas novos para depois.

Fachin tratou do papel do Judiciário na garantia da segurança pública e disse que toda expansão de poder exige autocontenção e reflexão crítica. Ressaltou que, sempre que um juiz der a impressão de atuar como agente político, a confiança pública se fragiliza e a instituição perde autoridade.

O discurso chega em meio a revelações que envolvem Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, associadas ao caso do Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontadas como combustível do desgaste do tribunal. Há também crescente pressão de sociedade civil e setor empresarial por um código de ética mais detalhado — proposta respaldada por Fachin, mas com resistência interna.

O reconhecimento público do problema pelo presidente do Supremo acende alerta sobre o custo político desse desgaste: perda de legitimidade, maior tensão com o Congresso e risco de escalada entre Poderes após episódios como o relatório da CPI do Crime Organizado. A saída, diz o próprio Fachin, passa por respostas colegiadas, transparência e medidas concretas para restaurar confiança.