Na noite de 29 de março, o voo DL-104 da Delta Air Lines, operado por um Airbus A330-300 com destino a Atlanta, sofreu uma falha grave no motor esquerdo poucos minutos após a decolagem do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Imagens feitas por passageiros e por observadores em solo mostram chamas e fragmentos saindo do motor, o que caracteriza uma falha não contida — quando partes internas se desprendem e perfuram a carcaça externa. A tripulação interrompeu a subida e retornou ao aeroporto; o pouso de emergência foi realizado com sucesso e não houve feridos entre os 272 ocupantes.
O ocorrido foi classificado pela aviação civil como incidente grave, em razão do potencial de dano às superfícies de voo, ao próprio aeroporto e pela presença de fogo em voo. Apesar da gravidade, o Cenipa não registrou o episódio como acidente, por entender que os danos ficaram restritos ao conjunto propulsor e não atingiram superfícies essenciais da aeronave. Ainda assim, o episódio afetou a rotina do terminal, gerando cancelamentos e desvios de voos.
Autoridades brasileiras abriram investigação para apurar causas: serão analisados o estado do motor, o histórico de manutenção, registros operacionais e as caixas-pretas, com possível cooperação internacional e envolvimento do fabricante. Não há, até o momento, conclusão sobre origem — se falha de fabricação, desgaste, manutenção ou outro fator — e as autoridades prometem relatório nos próximos dias.
Embora o A330 seja certificado para pousar com um motor e as tripulações passem por treinamentos para situações semelhantes, o incidente expõe custos concretos. Além do risco imediato, há impacto reputacional e operacional para a companhia e o aeroporto, além de pressão sobre reguladores e fornecedores por respostas rápidas e transparência. A investigação técnica será fundamental para evitar repetição e para quantificar o ônus econômico das interrupções derivadas do evento.