A 21ª edição do Festival do Cambuci ocupa neste fim de semana e nos dias 25 e 26 de abril vários pontos históricos de Paranapiacaba, no interior de São Paulo. Realizado desde 2004, o evento reúne produtores locais que trabalham com o cambuci — fruta típica da Mata Atlântica consumida desde antes da colonização — e oferece ao público sucos, licores, sorvetes, molhos e outras preparações à base da fruta, além de receitas com goiaba e amora.
Mais do que feira gastronômica, o festival busca preservar memória e tradição: no Cine Lyra há exposição com fotos das primeiras edições e na Casa Multiuso o visitante encontra material sobre a história e a importância cultural e ambiental do cambuci. A programação também inclui apresentações musicais — entre elas o DJ Rodrigo Branco e shows de cover — e, no último dia, premiação dos melhores pratos no palco do Antigo Mercado.
Todos os expositores são microprodutores; segundo os organizadores, 21 famílias dependem da venda do cambuci para complementar renda. Artesanato e alimentos vêm da região e de cidades do Grande ABC e da capital, e o festival integra hoje a Rota do Cambuci, que conecta municípios produtores como Santo André, São Bernardo e São Paulo. A associação formada pelos produtores foi essencial para estruturar a venda direta ao público.
A continuidade do evento, porém, passou por risco concreto: nos últimos três anos a prefeitura deixou de destinar verba e limitou-se a ceder espaços sem cobrar licença, afirma a organização. A falta de recursos quase levou o festival à extinção até que um patrocinador privado assumiu os custos de estrutura, divulgação e atrações. A solução preserva o calendário e a renda local, mas expõe a fragilidade da política cultural municipal e a dependência de aportes privados para manter iniciativas que têm impacto turístico e social.