A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) se somou ao empresariado na crítica ao projeto encaminhado pelo governo ao Congresso que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem diminuição salarial. Em nota, a entidade diz que a mudança ignora os efeitos sobre a atividade econômica e a geração de emprego e defende que a negociação coletiva é o caminho adequado para ajustes que preservem empresas e trabalhadores.

O texto enviado na terça-feira (14) estabelece a nova duração máxima em 8 horas diárias e garante que a redução valerá para contratos em vigor, sem redução nominal ou proporcional de salários ou pisos. A proposta prevê ainda duas folgas semanais consecutivas de 24 horas, preferencialmente coincidentes com sábado e domingo, mas não fixa uma jornada 5x2, preservando exceções por peculiaridades da atividade ou acordo coletivo.

O estudo da Fiemg citado pela entidade projeta impacto de até 16% no PIB caso medidas como o fim da escala 6x1 sejam implementadas sem contrapartidas e levanta a estimativa de perda de até 18 milhões de postos de trabalho em um cenário de redução de horas sem compensação. O presidente em exercício da federação classificou a mudança como de cunho eleitoral e advertiu para o risco ao sustento de famílias caso alternativas práticas não sejam apresentadas. A Associação Comercial de São Paulo também alertou para o caráter apressado da decisão em ano eleitoral e para os efeitos operacionais nas empresas.

Além do custo econômico, a proposta traz implicações políticas. Em ano de campanha, a iniciativa aciona pressões sobre a base aliada e amplia o espaço para questionamentos sobre planejamento e responsabilidade fiscal do governo. Para empresários e especialistas, o desafio será compatibilizar a agenda social com a viabilidade operacional das empresas — um cenário que tende a empurrar a solução para negociações coletivas, impasses no Congresso e risco de contestações judiciais se impactos práticos não forem endereçados.