As operações de crédito para compra de veículos somaram 1,89 milhão de unidades no primeiro trimestre de 2026, alta de 12,8% ante o mesmo período de 2025, segundo balanço da Trillia, da B3. O resultado é o melhor para um primeiro trimestre desde 2008, quando foram financiadas 2,037 milhões de unidades, e confirma ritmo mais intenso de demanda por automóveis e motos no começo do ano.

A liderança continua com os usados, que totalizaram 1,21 milhão de unidades, enquanto os veículos novos chegaram a 675 mil — aumentos de 12,2% e 14,1%, respectivamente. Entre os segmentos, os automóveis leves concentraram a maior parte das operações (1,31 milhão; +12,4%), as motos cresceram 18,1% (510,6 mil) e os pesados avançaram 3,9% (69,3 mil). O crescimento foi observado em todas as regiões, com destaque percentual para o Nordeste (16,6%).

No recorte por modalidade, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) segue dominante, com 1,619 milhão de contratos e alta de 14,3% na comparação anual; consórcios somaram 261,9 mil unidades (+5,5%), enquanto leasing e outras formas ficaram em volumes residuais. Março foi especialmente forte: 703 mil unidades no mês, alta de 27,6% sobre março de 2025 e melhor marca mensal desde agosto de 2011.

O avanço oferece fôlego para a cadeia automotiva e para vendas no varejo, mas também exige atenção de bancos, financeiras e reguladores sobre a qualidade do crédito. Expansão generalizada pode amplificar ganhos de mercado, mas eleva a necessidade de monitoramento da inadimplência e das condições de financiamento — sobretudo se o ritmo de aumento de preços e das taxas reduzir a capacidade de pagamento das famílias. Para o setor e para a economia, o desafio será equilibrar estímulo ao consumo com prudência na concessão de crédito.