O candidato do PL ao Planalto Flávio Bolsonaro encerrou a noite na Festa do Peão de Barretos defendendo o agronegócio e prometendo retornar ao evento em 2027 acompanhado do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. O discurso, curto e voltado à plateia do estádio, ressaltou a importância do setor rural como “coração do Brasil” e procurou reforçar a ligação entre o bolsonarismo e o universo sertanejo e do agronegócio.
A menção explícita ao ex-presidente, condenado pelo Supremo e em regime de prisão domiciliar, tem peso simbólico: sinaliza tentativa de normalização da imagem de Jair Bolsonaro dentro da campanha e uma aposta na mobilização da base histórica. Flávio repetiu saudações e arranjos de palco ao lado de aliados regionais, numa operação claramente voltada à visibilidade e à coesão do núcleo conservador.
No evento, o senador esteve acompanhado por peso pesado do campo político do Centro‑Direita, como o governador Tarcísio de Freitas, e foi recebido por uma multidão que chegou a entoar ataques ao presidente Lula. A presença em Barretos, com capacidade para dezenas de milhares de pessoas, reforça a convergência entre setores do agro, a direita partidária e o circuito sertanejo — uma base mobilizável, mas que pode não ser suficiente para ampliar o eleitorado além do núcleo duro.
O gesto público ocorre num momento em que o primeiro Datafolha publicado após o registro de candidaturas aponta Lula à frente: 39% a 33% no primeiro turno, com empate técnico em segundo turno (47% a 43%). Esses números mostram que, embora Flávio mantenha força entre eleitores da direita, o quadro continua desafiador e exige ampliação do apelo eleitoral. A promessa de trazer Jair de volta ao palanque pode consolidar eleitores fiéis, mas também reforçar a imagem de aposta exclusiva na radicalização, dificultando atração de moderados.
Do ponto de vista político, a estratégia tem custo e benefício claros: energiza a militância e fortalece laços com setores do agro, porém amplia questionamentos sobre a capacidade de ampliar palanque eleitoral em segmentos indecisos. Para reverter a vantagem do petista, o PL precisará transformar essa presença simbólica em proposta e alcance eleitoral mais amplos — tarefa que pesquisas como a do Datafolha continuam a transformar em prioridade estratégica.